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	<title>Pelos Olhos de Alice</title>
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	<description>.um blog sobre o olhar estrangeiro ou jardins desconhecidos.</description>
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		<title>Pelos Olhos de Alice</title>
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		<title>.o espírito do capitalismo</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Feb 2013 16:36:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um filme que eu sonhei &#8211; O espirito do capitalismo . Ainda no tempo do mercantilismo, na transição para o capitalismo &#8211; ou pelo menos era um lugar rústico, que desconhecia a forma dinheiro como capital -, vivia uma família de dois irmãos e alguns agregados. Eles eram bem medievais nas vestes. Ela tinha um lindo cabelo ruivo-acastanhado que batia nos joelhos, levemente frisado e ondulado. Ele era um rapaz bonito, simpático, cabeludo e barbudo – um cara gente boa. O foco do filme era nos dois irmãos. Acho que o pai, ou os pais, tinham morrido – não ficou explícito. Mas, é certo que o Irmão assumiu para si a tarefa de cuidar da família e foi assim que decidiu aceitar a proposta&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2227&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p align="JUSTIFY"><strong><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Um filme que eu sonhei &#8211; O espirito do capitalismo</span></span></strong></p>
<p align="JUSTIFY">.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Ainda no tempo do mercantilismo, na transição para o capitalismo &#8211; ou pelo menos era um lugar rústico, que desconhecia a forma dinheiro como capital -, vivia uma família de dois irmãos e alguns agregados. Eles eram bem medievais nas vestes. Ela tinha um lindo cabelo ruivo-acastanhado que batia nos joelhos, levemente frisado e ondulado. Ele era um rapaz bonito, simpático, cabeludo e barbudo – um cara gente boa. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O foco do filme era nos dois irmãos. Acho que o pai, ou os pais, tinham morrido – não ficou explícito. Mas, é certo que o Irmão assumiu para si a tarefa de cuidar da família e foi assim que decidiu aceitar a proposta de um senhor, que há muito flertava com a fazenda deles: a ideia de montar um restaurante italiano. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Acontece que todos da família, inclusive ele, sabiam que aquela comida poderia conter substâncias ruins, como se cancerígenas. Mas, o irmão estava decidido a mudar de vida, a ganhar dinheiro, mesmo com a Irmã relutando em apoiar. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O prato servido era tipo um “capeleti” quadrado. Todos da região frequentavam o restaurante-sítio. Com o tempo, os funcionários e os familiares que moravam e dependiam da produtividade da fazenda foram abandonando seus antigos hábitos alimentares e passaram a se alimentar do prato italiano. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Um dia, curioso, o Irmão resolveu também se alimentar da comida e até a achou boa. Mas, ficou se perguntando “o que será que vai nesse recheio?”. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O recheio era fornecido pelo Senhor, que ía ao sítio-restaurante de tempos em tempos. A comida ficou tão famosa, que eles acabaram se mudando para mais perto da cidade e moraram num casarão bem rico, porém frio e escuro. Lá, montaram o restaurante deles e serviam a tal comida ao pessoal das redondezas. A Irmã, até então relutante, resolveu ceder e começou a trabalhar para o restaurante também. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Eles não percebiam, mas foram se transformando em monstros – fisicamente inclusive. A boca escureceu, os dentes assumiram formas estranhas, nem um pouco humanas. A coluna foi ficando corcunda e o corpo assumiu formas tortas monstruosas. Gengiva escura, olhos fundos, cabelo áspero. O processo de modificação era perene, com o tempo os dedos escureceram, alongaram e afinaram, assemelhando-se a garras negras. A Irmã foi assumindo uma forma ainda mais mesquinha e amedrontadora que o Irmão, ainda mais perversa.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Passado algum tempo, a Irmã assumiu o controle do restaurante e dava ordens ao irmão, que sempre as obedecia. Apesar de não ter compulsão pela comida, como o rapaz parecia ter vez ou outra, ela também se alimentava do tal prato italiano. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Um dia, quando tudo já era cinza, apareceram alguns amigos do rapaz, para salvá-lo da Irmã. Porque nesse tempo, todos achavam ser ela a vilã, a culpada, que ela é que era o monstro que sufocava o Irmão e a toda a família. Isso porque, todos ignoravam ou simplesmente desconheciam o começo da história.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Eis que os amigos bolaram um plano e contaram com a ajuda de uma criança que morava na fazenda. Mesmo a criança tinha um aspecto de monstro. Os amigos do Irmão haviam combinado com a criança de ela distrair a Irmã, enquanto eles tirariam o Irmão daquele ambiente medonho, e prometeram à criança que depois que ele ficasse bom, eles voltariam para buscar um a um. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Quando o Irmão estava do lado de fora da casa, conversando com um dos amigos, a Irmã apareceu gritando e chamando pelo irmão (eles não se separavam nunca). Ao sinal do amigo, veio em disparada um carro amarelo do fundo da casa e o Irmão foi sequestrado.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">A Irmã gritou um grito medonho e correu desesperada para tentar impedir o sequestro, mas a criança que estava na espreita, a impediu. A criança estava munida de um arame, que ela passou pelo pescoço da Irmã e a fez cair deitada no chão. Ao cair, a criança a enforcou com o arame até a sua morte. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O Irmão deu um grito medonho no carro, de dor. Parecia que ele mesmo tinha sido o esganado. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Com a morte da Irmã, a sede do restaurante explodiu, a casa explodiu e tudo era chamas. Após alguns segundos de espanto, a Irmã acordou, como que de um sono profundo, sem nada entender. Foi como se sua alma pura ainda estivesse viva em algum lugar dentro dela. Viva e preservada. Ela morreu, mas não morreu. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O espírito que antes morava na irmã, foi procurar morada no Irmão, se fortalecendo dentro dele. Foi assim que o Irmão gritando no carro assumiu sua forma mais medonha e tentou voltar enfurecido para casa. A impressão que ficou era de que o espírito perverso estava dividido entre todos da fazenda, mas principalmente entre a Irmã e o Irmão. Com a morte da Irmã, o espírito perverso perdeu sua &#8220;casa&#8221; e foi abrigar-se no corpo do Irmão, fortalencendo-se. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">A cena é cortada. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">De repente, começa uma nova cena, em 2013. Um desfile na semana de moda de Paris. Roupas lindas, fotógrafos, tal como deve ser uma semana de moda em Paris. Eis quando, na passarela, uma velhinha se põe a dar cambalhotas entre as pernas longas das modelos – todos riem. Fazia parte do espetáculo do desfile.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Tudo escurece, a tela fica preta e o filme acaba. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"> </span></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/sonhos/'>sonhos</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2227/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2227/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2227&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>redenção.</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2013 02:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
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		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Algo como um final de tarde ou um prenúncio de noite. Ela colocou seu biquini azul marinho, tão retrô que se fazia vanguarda. Cintura alta, largo. Combinou seu biquini acinturado com um turbante vermelho, até discreto. Completava uma linha náutica que queria manter. Sua bunda estava esplendorosa. Ainda que sua indumentária estivesse completamente na contramão das vestimentas do lugar, sua bunda era tão maravilhosa, que ela se sentia muito segura na sua postura.  As pessoas comemoravam, talvez o final de um ano, talvez o verão simplesmente. Elas eram jovens, barulhentas, algumas bêbadas ou adocicadas&#8230; nunca há como ter certeza. Bonitas, douradas, interessadas, atentas, interativas.  Ela queria ir ver o mar, sair daquela movimentação de som, de paquera. Ela queria ver o mar. Não queria&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2213&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Algo como um final de tarde ou um prenúncio de noite. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Ela colocou seu biquini azul marinho, tão retrô que se fazia vanguarda. Cintura alta, largo. Combinou seu biquini acinturado com um turbante vermelho, até discreto. Completava uma linha náutica que queria manter. Sua bunda estava esplendorosa. Ainda que sua indumentária estivesse completamente na contramão das vestimentas do lugar, sua bunda era tão maravilhosa, que ela se sentia muito segura na sua postura. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">As pessoas comemoravam, talvez o final de um ano, talvez o verão simplesmente. Elas eram jovens, barulhentas, algumas bêbadas ou adocicadas&#8230; nunca há como ter certeza. Bonitas, douradas, interessadas, atentas, interativas. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Ela queria ir ver o mar, sair daquela movimentação de som, de paquera. Ela queria ver o mar. Não queria ir sozinha. Ela saiu por entre as pessoas, com sua bunda maravilhosa propondo, procurando alguém que quisesse ir com ela ver o mar. As pessoas não estavam muito interessadas no que ela queria, as pessoas estavam interessadas em seus próprios quereres. Então, ela se concentrou nela mesma e foi à praia sozinha. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Ela sabia que algo iria acontecer no mar e ela queria estar lá para viver. O ano novo estava próximo, ou simplesmente alguma mudança da lua. Uma passagem de tempos e ciclos. E ela precisava ir sentar-se em frente ao mar. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">A praia estava lotada de gente, de gente dispersa, gente alheia ao ciclo da lua, ao ciclo do mar. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O momento estava próximo e ela sentiu uma necessidade de transar, de esperar o que iria acontecer com o mar, transando. Ela, consciente da bunda que tinha, caminhava e pensava com mais força o seu desejo de sexo em frente ao mar. Um homem, loiro, compreendeu a necessidade dela, sentiu que havia algo de além naquele espírito. Ele compartilhou da fantasia dela. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Eles se olharam, se compreendendo. Ele não falava português. Enquanto, transavam, ela pensava de onde será que ele teria vindo? de que canto do mundo? </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Ela deitada no chão, na areia. Ele por cima. Ela olhava ele e olhava o mar. As pessoas ao redor não se importavam. Era como se eles nem estivessem ali. A praia lotada, a noite clara, e ela sentia, sentia que o mar estava vindo, se aproximando. Enquanto transava com aquele homem que ela não conhecia, mas que compartilhou da necessidade dela de um sexo-ritual, ela olhava o mar. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O mar vinha. O mar puxava toda sua água para formar um paredão gigantesco de onda. Quase uma parede por toda a praia. Gigante!</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;"><span style="color:#262626;">Todos vêem, todos olham e sentem a energia no mar. Impressionados. Estupefatos. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;"><span style="color:#262626;">A praia é silêncio. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;"><span style="color:#262626;">Ela olha o homem, com quem continua transando. Ele arregala os olhos assustado. Assustado com o tamanho da onda, assustado com a energia que sentia, que vinha dela, que vinha do mar e que vinha dele também. Ela sente que o homem também sente a energia do mar. Ele está surpreso, mas entregue. Ela olha o mar, ela também entregue. O mar brilhava, cintilante e gigante.</span></span></span></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/agua/'>água</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/mar/'>mar</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/sexo/'>sexo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2213/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2213/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2213&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>.a dança das mênades</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Nov 2012 14:17:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.entre aspas.]]></category>
		<category><![CDATA[dionísio]]></category>

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		<description><![CDATA[para fundamentar hábitos da vida&#8230;  . O ensinamento de Dionísio. In:NAFFAH NETO, Alfredo. A psicoterapia em busca de Dioniso: Nietzsche visita Freud. São Paulo: EDUC/Escuta, 1994, pp.83-86. . Dionísio de Atenas é um deus fundamentalmente mundano, afirmador dos valores positivos da vida terrestre; não há nele nenhuma tendência ascética, nenhum misticismo que busque uma fuga do mundo como forma de atingir uma plenitude de si &#8211; contrariamente a formas anteriores do deus e às suas supostas origens estrangeiras. E mesmo que tenha existido outra vertente dos cultos dionisíacos &#8211; ocupada com a imortalidade da alma, pregando a renúncia ao mundo e o ideal ascético &#8211; não é a que interessa aqui. O Dionísio que aqui se busca é aquele onde tudo é &#8216;exaltação da alegria,&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2201&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:center;"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">para fundamentar hábitos da vida&#8230; </span></span></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">.</span></span></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:small;"><span style="color:#262626;"><b>O ensinamento de Dionísio. </b></span><span style="color:#262626;"><i>In:</i></span><span style="color:#262626;">NAFFAH NETO, Alfredo. A psicoterapia em busca de Dioniso: Nietzsche visita Freud. São Paulo: EDUC/Escuta, 1994, pp.83-86.</span></span></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Dionísio de Atenas é um deus fundamentalmente mundano, afirmador dos valores positivos da vida terrestre; não há nele nenhuma tendência ascética, nenhum misticismo que busque uma fuga do mundo como forma de atingir uma plenitude de si &#8211; contrariamente a formas anteriores do deus e às suas supostas origens estrangeiras. E mesmo que tenha existido outra vertente dos cultos dionisíacos &#8211; ocupada com a imortalidade da alma, pregando a renúncia ao mundo e o ideal ascético &#8211; não é a que interessa aqui.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">O Dionísio que aqui se busca é aquele onde tudo é &#8216;exaltação da alegria, do prazer, do vinho, do amor, da vitalidade, de toda essa exuberância desenfreada, orientada para o riso e para a mascarada (&#8230;), não em direção a uma pureza ascética, mas a uma comunhão com a natureza selvagem&#8217;.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">Dionísio, deus de múltiplas faces. Apresentando-se sempre mascarado, está constantemente desafiando os homens a vê-lo por sob a máscara ou quiçá </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>a partir dela; </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">sua vinda deve trazer, para uns, a abundância e a felicidade, para os que não souberem vê-lo, a destruição e a desonra, pois Dionísio deve ensinar os homens &#8216;a ver o que é preciso ver&#8217;: o mais evidente sob o disfarce do mais invisível. Mas o que é mais evidente e, ao mesmo tempo, mais invisível? O </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>devir </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">incessante do mundo, que subverte todas as categorias lógicas ligadas à essência. &#8216;Ultrapassagem de todas as formas, jogo de aparências, confusão entre o ilusório e o real, a alteridade de Dionísio depende também do fato de, através de sua epifania, todas as categorias ressaltadas, todas as oposições nítidas, que dão distintas e exclusivas, se chamarem, se fundirem, passaram umas nas outras.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#262626;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="font-size:medium;">Ele será, pois, o deus capaz de embaralhar todos os códigos: sua face múltipla e mutante será ao mesmo tempo <b>masculina</b> e <b>feminina</b>, <b>grega</b> e <b>bárbara</b>, <b>selvagem</b> e <b>civilizada</b>; ele está sempre <b>longínquo</b> e <b>próximo</b>; colocará lado a lado o <b>jovem</b> e o <b>velho</b>; fará o <b>louco</b> tornar-se <b>sofista</b>. Desconstruindo aparências, os contornos visíveis, revelará, assim, àqueles que puderem vê-lo, o não-aparente como condição do aparente, o invisível como fundamento de toda visibilidade possível. É Dionísio-mágico-ilusionista que, para fazer aparecerem as virtualidades invisíveis, constitutivas do mundo, realizadora de milagres e encantamentos, pelos quais o absurdo, o impossível, tornam-se realidade: as videiras crescem e maduram do dia para a noite, o vinho jorra do chão. Entretanto, enganam-se aquele que vêem no deus apenas arrebatamento e excesso: essa é a sua face resplandecente, exacerbada, destinada a convencer os cegos obstinados.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">&#8216;Assim como o vinho, Dionísio é duplo: terrível ao extremo, infinitamente doce. Sua presença, intrusão estupefaciente do Outro no mundo humano, pode assumir duas formas, manifestar-se segundo duas vias: a união bem-aventurada com ele, em plena natureza, em que todo constrangimento foi ultrapassado, a evasão fora dos limites do cotidiano e de si próprio. É essa experiência que o </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>parodos </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"> celebra: pureza, santidade, alegria, suave felicidade. Ou, então, a queda no caos, a confusão de uma loucura sanguinária, assassina, onde se confundem o mesmo e o outro, tomando por um animal selvagem aquilo que se tem de mais próximo, de mais caro, seu próprio filho, esse segundo se próprio, que é retalhado com as próprias mãos: horrível impureza, crime inexplicável, felicidade sem termo e sem saída&#8217;.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">Assim, pois, aqueles que conseguem aprender a &#8216;ver o que é preciso ver&#8217;, unindo-se ao deus e partilhando do seu olhar, são capazes de celebrar a festa da mutante natureza, esse invisível movimento pelo qual as coisas passam umas nas outras para constituir um mundo, lançando jorros de vida por todos os lados. Envolvidos eles próprios nesse devir, sentindo-se fluir em ressonância com o mundo, nômades no cotidiano, excêntricos em si próprios, para eles a experiência dionisíaca é eminentemente </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>civilizatória. </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">Pois aprendem, também com o deus, a arte das </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>misturas, das dosagens, </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">capazes não só de transformar o vinho puro em vinho temperado, como o sangue efervescente das paixões desmedidas nas pulsações bem dosadas de um viver sereno. Para eles, Dionísio é o deus do coração, do falo, de tudo o que é vida, palpitação, jorro, intensidade, mas é também, o deus que ensina a verticalidade corporal, o equilíbrio, o jogo de cintura, o salto, a dança.</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">Com o vinho temperado, aprendem a celebrar a vida e a esquecer as pequenas infelicidades que a permeiam, muito embora conheçam também o poder e os perigos do vinho puro, do sangue crepitante que sobe à cabeça, da </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>mania </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">destruidora e assassina que constituem o outro lado do deus. Porque Dionísio &#8216;concede aos que o seguem o privilégio de pensar sadiamente, com bom senso e moderação, contrariamente aos grandes espíritos cegos àquilo que os supera, cuja vaidade os descaminha, a ponto de fazê-los perder a cabeça e desarrazoar.&#8217; Aos que conseguem unir-se à visao sábia do deus, o pensar saudável; aos orgulhosos, incapazes de perceber que o </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>lógos </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">do universo os ultrapassa de ponta a ponta os ultrapassa de ponta a ponta, a desrazão, a </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>mania: </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">através desta seleção, o deus assinala os limites radicais da </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>consciência </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">e da </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>lógica humanas.</b></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">É este, pois, o Dionísio que se busca, na psicoterapia genealógica: o deus-princípio, capaz de ensinar a ver</span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b> através</b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"> das coisas, ouvir </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>através </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">das palavras, ser capaz de acolher o </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>eterno retorno da diferença, </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">que subverte o </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>mesmo </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">em todas as suas formas. Pois, o psicoterapeuta-genealogista sabe que &#8216;se o universo do Mesmo não aceita integrar a si esse elemento de alteridade que todo grupo, todo ser humano traz em si sem saber &#8211; assim como Penteu recusa reconhecer essa parte misteriosa, feminina, dionisíaca que o atrai e o fascina, até no horror que ela lhe inspira &#8211; o estável, o regular, o idêntico oscilam e desmoronam; é o Outro, em sua forma medonha, a alteridade absoluta, o retorno ao caos que aparecem como a verdade sinistra, a face autêntica e aterradora do Mesmo. Resta, pois, incorporar a alteridade, assumir o devir, entrar nesse jogo de mutações incessantes e desconhecidas para se tornar capaz de viver a </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>felicidade do cotidiano, </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">que o coro n&#8217;</span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>As Bacantes </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">celebra: &#8216;Quem, no dia-a-dia (Kat&#8217;êmar), desfruta a felicidade da vida, este eu proclamo feliz como os deuses&#8217;. Mas, a </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>felicidade do cotidiano </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">implica que os homens possam aceitar sua </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>condição mortal, </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">saber que nada são diante das forças que transbordam de toda parte e que têm o poder de esmagá-los&#8217;, pois, &#8216;o deus não tem contas a prestar, estranho a nossas normas, a nossos usos, a nossas preocupações, </span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;"><b>além do bem e do mal, </b></span></span><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">supremamente suave ou supremamente terrível, ele brinca de fazer surgir à nossa volta e dentro de nós as múltiplas figuras do Outro.&#8217;</span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Garamond, serif;"><span style="color:#262626;"><span style="font-size:medium;">A nós cabe, pois, simplesmente acolhê-las e participar do seu esplendor, ou rejeitá-las e sucumbir frente ao espectro aterrorizante no qual o nome medo as houver transformado. </span></span></span></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/entre-aspas/'>.entre aspas.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/dionisio/'>dionísio</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2201/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2201&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>.quando a lua é minguante</title>
		<link>http://pelosolhosdealice.com/2012/09/12/quando-a-lua-e-minguante/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Sep 2012 01:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
		<category><![CDATA[dionísio]]></category>
		<category><![CDATA[faunos]]></category>
		<category><![CDATA[lua minguante]]></category>
		<category><![CDATA[ninfas]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algo na noite que me perturba, que me inquieta. Vem com mais força à medida que o ponteiro passa das 22h, vem na temperatura, vem com o ar fresco, azulado e frio que passa pelas frestas da janela. Esse mesmo ar que leva embora meu bom senso. Todo aquele bom senso construído nas horas em que o dia ainda era de sol&#8230; e, como sempre, acordo após o meio dia, costumo ter poucas horas de pleno bom senso. Uma vontade ir. Ir por essa janela que é tão grande, e de ser levada no vento, como folha seca, mas cheia de curiosidade e leveza. Eu ouço, ouço vozes. Ouço cânticos. Meu quadril treme, meu rosto sorri porque é noite. É noite, é noite,&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2190&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:justify;">Há algo na noite que me perturba, que me inquieta. Vem com mais força à medida que o ponteiro passa das 22h, vem na temperatura, vem com o ar fresco, azulado e frio que passa pelas frestas da janela. Esse mesmo ar que leva embora meu bom senso. Todo aquele bom senso construído nas horas em que o dia ainda era de sol&#8230; e, como sempre, acordo após o meio dia, costumo ter poucas horas de pleno bom senso.</p>
<p>Uma vontade ir.</p>
<p style="text-align:justify;">Ir por essa janela que é tão grande, e de ser levada no vento, como folha seca, mas cheia de curiosidade e leveza.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu ouço, ouço vozes. Ouço cânticos. Meu quadril treme, meu rosto sorri porque é noite. É noite, é noite, é noite, é noite. De repente, a vida é &#8220;apetite puro&#8221;. Vem a consciência de que &#8220;o oposto da morte é o desejo&#8221;. E, o espírito deseja sempre mais e mais. E, a carne tem fome de carnes. É assim. A Lua está minguando? Sofro influências mais fortes quando a lua está minguando. Eu sinto, é por dentro.</p>
<p style="text-align:justify;">‎Faunos são seres mitológicos feitos de metade homem e metade bode, com belos e fortes chifres. Nos tempos de Roma, eram conhecidos como os Sátiros que formavam o cortejo de Dionísio na Grécia Antiga. Mas, Sátiros e Faunos são diferentes. Faunos são mais sóbrios e mais próximos dos animais, enquanto os Sátiros mais bêbados e ligados à sexualidade. Ambos vivem em bosques, e há quem acredite que somente os Sátiros mantêm relações sexuais com as ninfas, que são eles quem gostam de ter por perto a presença de Dionísio, que apreciam boa música acompanhada de orgias e de vinho. Em noites como as de hoje, ambos dançam ao som de flautas, címbalos, castanholas e gaitas de foles.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse momento, eu ouço tambores. Como ninfa que sou, desejo virar presa de um Sátiro de chifres. Preciso dançar em terreno aberto, vestida de branco e suja de vinho.</p>
<p style="text-align:center;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='645' height='393' src='http://www.youtube.com/embed/52ODpVkntZ8?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/dionisio/'>dionísio</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/faunos/'>faunos</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/lua-minguante/'>lua minguante</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/ninfas/'>ninfas</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2190/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2190/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2190&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>.pelo sertão de Guimarães (X)</title>
		<link>http://pelosolhosdealice.com/2012/05/23/pelo-sertao-de-guimaraes-x/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 01:20:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.entre aspas.]]></category>
		<category><![CDATA[Diadorim]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Sertão: Veredas]]></category>
		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[revelação]]></category>

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		<description><![CDATA[[A revelação.] &#8220;Diadorim tinha morrido &#8211; mil-vezes-mente &#8211; para sempre de mim; e eu sabia, e não queria saber, meus olhos marejavam. -E a guerra?! &#8211; eu disse (&#8230;) Nas vozes, nos fatos, que agora todos estavam explicando: por tanto que, assim tristonhamente, a gente vencia. (&#8230;) Era a Mulher, que falava. Ah, e a Mulher rogava:  - Que trouxessem o corpo daquele rapaz moço, vistoso, o dos olhos muito verdes&#8230; Eu desguisei. Eu deixei minhas lágrimas virem, e ordenando: &#8211; &#8220;Traz Diadorim!&#8221; &#8211; conforme era. &#8211; &#8220;Gente, vamos trazer. Esse é o Reinaldo&#8230;&#8221; &#8211; o que o Alaripe disse. E eu parava ali, permeio o menino Guirigó e o cego Borromeu. - Ai, Jesus! - foi o que eu ouvi, dessas vozes deles. Aquela mulher&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2176&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:justify;">[A revelação.]</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Diadorim tinha morrido &#8211; mil-vezes-mente &#8211; para sempre de mim; e eu sabia, e não queria saber, meus olhos marejavam.</p>
<p style="text-align:justify;">-E a guerra?! &#8211; eu disse</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Nas vozes, nos fatos, que agora todos estavam explicando: por tanto que, assim tristonhamente, a gente vencia. (&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Era a Mulher, que falava. Ah, e a Mulher rogava:  - Que trouxessem o corpo daquele rapaz moço, vistoso, o dos olhos muito verdes&#8230; Eu desguisei. Eu deixei minhas lágrimas virem, e ordenando: &#8211; &#8220;Traz Diadorim!&#8221; &#8211; conforme era. &#8211; &#8220;Gente, vamos trazer. Esse é o Reinaldo&#8230;&#8221; &#8211; o que o Alaripe disse. E eu parava ali, permeio o menino Guirigó e o cego Borromeu. - <em>Ai, Jesus! </em>- foi o que eu ouvi, dessas vozes deles.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquela mulher não era má, de todo. Pelas lágrimas fortes que esquentavam meu rosto e salgavam minha boca, mas que já frias já rolavam. Diadorim, Diadorim, oh, ah, meus buritizais levados de verdes&#8230; Burití, do ouro da flôr&#8230; E subiram as escadas com ele, em cima de mesa foi posto. Diadorim, Diadorim &#8211; será que amereci só por metade? Com meus molhados olhos não olhei bem &#8211; como que garças voavam&#8230; E que fossem campear velas ou tocha de cera, e acender altas fogueiras de boa lenha, em volta do escuro do arraial&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Sufoquei, numa estragulação de dó. Constante o que a Mulher disse: carecia de se lavar e vestir o corpo. Piedade, como que ela mesma, embebendo toalha, limpou as faces de Diadorim, casca de tão grosso sangue, repisado. E a beleza dele permanecia, mais impossivelmente. Mesmo como jazendo assim, nesse pó de palidez, feito a coisa e máscara, sem gota nenhuma. Os dele fincados para a gente ver. A cara economizada, a boca secada. Os cabelos com marca de duráveis&#8230; Não escrevo, não falo! &#8211; para assim não ser: não foi, não é, não fica sendo! Diadorim&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Eu dizendo que a Mulher ia lavar o corpo dele. Ela rezava as rezas da Bahia. Mandou todo mundo sair. Eu fiquei. E a Mulher abanou brandamente a cabeça, consoante deu um suspiro simples. Ela me mal-entendia. Não me mostrou de propósito o corpo. E disse&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Diadorim &#8211; nú de tudo. E ela disse:</p>
<p style="text-align:justify;">- &#8220;A Deus dada. Pobrezinha&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">E disse. Eu conheci! Como em todo o tempo antes eu não contei ao senhor &#8211; e mercê peço: &#8211; mas para o senhor divulgar comigo, a par, justo o travo de tanto segredo, sabendo somente no átimo em que eu também só soube&#8230; Que Diadorim era o corpo de uma mulher, moça perfeita&#8230; Estarreci. A dôr não pode mais do que a surpresa. A côice d&#8217;arma, de coronha&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Ela era. Tal que assim se desencantava, num encantamente tão terrível; e levantei mão para me benzer &#8211; mas com ela tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágrimas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim era uma mulher. Diadorim era mulher como o sol não acende a água do rio Urucúia, como eu solucei meu desespero.</p>
<p style="text-align:justify;">O senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem termo real.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu estendi as mão para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata&#8230; Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura&#8230; E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:</p>
<p style="text-align:justify;">- &#8220;Meu amor!&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">(ROSA, João Guimarães. <em>Grande Sertão: Veredas.</em>Nova Fronteira, 2001, p. 735-739)</p>
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		<title>.pelo sertão de Guimarães (IX)</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 00:28:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8221; &#8216;Riobaldo, você é valente&#8230; Você é um homem pelo homem&#8230;&#8217; &#8211; ele no fim falou. Sopesei meu coração, povoado enchido, se diz; me cri capaz de altos, para toda seriedade certa proporcionando. E, aí desde aquela hora, conheci que, o Reinaldo, qualquer coisa que ele falasse, para mim virava sete vezes.&#8221; (p. 193) . . [Trechos últimos antes da guerra final.] . &#8220;Deixei em mim. Digo ao senhor: se deixei, sem pêjo nenhum, era por causa da hora &#8211;  a menos sobra de tempo, sem possibilidades, a espera de guerra. Ao que, alforriado me achei. Deixei meu corpo querer Diadorim; minha alma? Eu tinha recordação do cheiro dele. Mesmo no escuro, assim, eu tinha aquele fino das feições, que eu ao podia divulgar,&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2173&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:justify;">&#8221; &#8216;Riobaldo, você é valente&#8230; Você é um homem pelo homem&#8230;&#8217; &#8211; ele no fim falou. Sopesei meu coração, povoado enchido, se diz; me cri capaz de altos, para toda seriedade certa proporcionando. E, aí desde aquela hora, conheci que, o Reinaldo, qualquer coisa que ele falasse, para mim virava sete vezes.&#8221; (p. 193)</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>[Trechos últimos antes da guerra final.]</p>
<p>.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Deixei em mim. Digo ao senhor: se deixei, sem pêjo nenhum, era por causa da hora &#8211;  a menos sobra de tempo, sem possibilidades, a espera de guerra. Ao que, alforriado me achei. Deixei meu corpo querer Diadorim; minha alma? Eu tinha recordação do cheiro dele. Mesmo no escuro, assim, eu tinha aquele fino das feições, que eu ao podia divulgar, mas lembrava, referido, na fantasia da ideia. Diadorim &#8211; mesmo o bravo guerreiro &#8211; ele era para tanto carinho: minha repentina vontade era beijar aquele perfume no pescoço: a lá, aonde se achava e remansava a dureza do queeixo, do rosto&#8230; Beleza &#8211; o que é? E o senhor me jure! Beleza, o formato do rosto de um: e que para outro pode ser decreto, é, para destino destinar&#8230; E eu tinha de gostar tramadamente assim, de Diadorim, e calar qualquer palavra. Ele fosse uma mulher, e à-alta e desprezadora que sendo, eu me encorajava: no dizer paixão e no fazer &#8211; pegava, diminuída: ela no meio dos meus braços! Mas, dois guerreiros, como é, como iam poder se gostar, mesmo em singela conversação &#8211; por detrás de tantos brios e armas? Mais em antes se matar, em luta, um ao outro. E tudo impossível. Três-tantos impossível, que eu descuidei, e falei: &#8211; &#8230;<em>Meu bem, estivesse dia claro, e eu pudesse espiar a cor de seus olhos&#8230; </em>- o disse, vagável num esquecimento, assim como estivesse pensando somente, modo se diz um verso. Diadorim se pôs para trás, só assustado. &#8211; O <em>senhor não fala sério! - </em>ele rompeu e disse, se desprazendo. &#8220;O senhor&#8221; &#8211; que ele disse. Riu mamente. Arrepio como recaí em mim, furioso com meu patetear. - <em>Não te ofendo, Mano. Sei que tu é corajoso&#8230; </em>- eu disfarcei, afetando que tinha sido brinca de zombarias, recompondo o significado. Aí, e levantei, convidei para se andar. Eu queria atirar um tanto. Diadorim me acompanhou. (&#8230;) Mas, agora, eu já tinha demudado o meu sentir, que era por Diadorim uma amizade somente, rei-real, exata forte, mesmo mais do que amizade. Essa simpatia que em mim, me aumentava. De tanto, que eu podia honestamente dizer a ele o meu bem-querer, constância da minha estimação.&#8221;</p>
<p>.</p>
<p style="text-align:right;">(ROSA, João Guimarães. <em>Grande Sertão: Veredas.</em>Nova Fronteira, 2001, pp. 193 e 712-713).</p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/entre-aspas/'>.entre aspas.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/diadorim/'>Diadorim</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/final/'>final</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/grande-sertao-veredas/'>Grande Sertão: Veredas</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/guimaraes-rosa/'>Guimarães Rosa</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/riobaldo/'>riobaldo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2173/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2173/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2173&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>.pelo sertão de Guimarães (VIII)</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 00:18:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA["O diabo na rua, no meio do redemunho..." o Que-Não-Fala, o Que-Não-Ri, o Muito-Sério, o cão extremo, o Cujo, Hermógenes, o filho do Demo, o Pactário, o Maligno, o Cramulhão, o Pai do Mal, o Tendeiro, o Manfarro, o Careca, o Demo, o Sempre-Sério, o Pai da Mentira, o Bode-Preto, o Morcegão, o Xú, o Dado, o Danado, Lúcifer, Satanaz, o Dos-Fins, o Austero, o Severo-Mor, Apôrro. Só outro silêncio. O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais." . (ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas.Nova Fronteira, 2001). Filed under: .entre aspas. Tagged: demo, diabo, Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa, pacto, riobaldo, silêncio<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2158&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><pre style="text-align:left;">"O diabo na rua, no meio do redemunho..."</pre>
<pre style="text-align:center;">o Que-Não-Fala,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Que-Não-Ri,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Muito-Sério,</pre>
<pre style="text-align:center;">o cão extremo,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Cujo,</pre>
<pre style="text-align:center;">Hermógenes, o filho do Demo, o Pactário,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Maligno,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Cramulhão,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Pai do Mal,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Tendeiro,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Manfarro,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Careca,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Demo,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Sempre-Sério,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Pai da Mentira,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Bode-Preto,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Morcegão,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Xú,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Dado, o Danado,</pre>
<pre style="text-align:center;">Lúcifer,</pre>
<pre style="text-align:center;">Satanaz,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Dos-Fins,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Austero,</pre>
<pre style="text-align:center;">o Severo-Mor,</pre>
<pre style="text-align:center;">Apôrro.</pre>
<pre style="text-align:center;">Só outro silêncio. O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."</pre>
<pre style="text-align:center;">.</pre>
<pre style="text-align:right;">(ROSA, João Guimarães. <em>Grande Sertão: Veredas.</em>Nova Fronteira, 2001).</pre>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/entre-aspas/'>.entre aspas.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/demo/'>demo</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/diabo/'>diabo</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/grande-sertao-veredas/'>Grande Sertão: Veredas</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/guimaraes-rosa/'>Guimarães Rosa</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/pacto/'>pacto</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/riobaldo/'>riobaldo</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/silencio/'>silêncio</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2158/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2158/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2158&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>.pelos olhos de Guimarães (VII)</title>
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		<comments>http://pelosolhosdealice.com/2012/05/23/pelos-olhos-de-guimaraes-vii/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 May 2012 23:52:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[um dos meus trechos favoritos] &#8220;Sertão é o sozinho. (&#8230;) Jagunço é o sertão. (&#8230;). Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total. Todos os sucedidos acontecendo, o sentir forte da gente &#8211; o que produz os ventos. Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe. O Reinaldo era Diadorim &#8211; mas Diadorim era um sentimento meu. Diadorim e Otacília.&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2153&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p>[um dos meus trechos favoritos]</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Sertão é o sozinho.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Jagunço é o sertão. (&#8230;). Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total. Todos os sucedidos acontecendo, o sentir forte da gente &#8211; o que produz os ventos. Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe. O Reinaldo era Diadorim &#8211; mas Diadorim era um sentimento meu. Diadorim e Otacília. Otacília sendo forte como a paz, feito aqueles largos remansos do Urucúia, mas que é rio de braveza. Ele está sempre longe. Sozinho. Ouvindo uma violinha tocar, o senhor se lembra dele. Uma musiquinha até que não podia ser mais dansada &#8211; só o debulhadinho de purezas, de virar-virar&#8230; Deus está em tudo &#8211; conforme a crença? Mas tudo vai vivendo demais, se remexendo. Deus estava mesmo vislumbrante era se tudo esbarrasse, por uma vez. Como é que se pode pensar toda hora nos novíssimos, a gente estando ocupado com estes negócios gerais? Tudo o que já foi, é o começo do que vai vir, toda a hora a gente está num cômpito. Eu penso é assim, na paridade. <em>O demônio na rua&#8230; </em>Viver é muito perigoso; e não é não. Nem sei explicar essas coisas. Um sentir é o do sentente, mas o outro é do sentidor.&#8221;</p>
<p style="text-align:right;">(ROSA, João Guimarães. <em>Grande Sertão: Veredas.</em>Nova Fronteira, 2001, pp. 391, 393 e 394).</p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/entre-aspas/'>.entre aspas.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/diadorim/'>Diadorim</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/grande-sertao-veredas/'>Grande Sertão: Veredas</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/gruimaraes-rosa/'>gruimaraes rosa</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/jagunco/'>jagunco</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/sertao/'>sertão</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/ventos/'>ventos</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2153&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Factory girl &#8211; você, aos pés do mundo</title>
		<link>http://pelosolhosdealice.com/2012/05/21/factory-girl-voce-aos-pes-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 08:49:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.outros jardins.]]></category>
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		<description><![CDATA[Factory Girl é um filme baseado na história de Edie Sedgwick e sua relação com Andy Warhol e Bob Dylan. O filme mostra Edie como uma jovem rica dos anos 60/70, que se transforma na superstar dos filmes de Warhol, ícone da moda e modelo. O filme traz como pano de fundo toda a efervescência da cultura underground dos anos 70, com Andy Warhol, Bob Dylan, The vevelt underground e a pop art. Diversos são os elementos que podem chamar nossa atenção e causar paixão pelo filme. Mas, o que me prendeu não foram as orgias, a arte, a &#8220;undergralidade&#8221; da juventude popart, ou o figurino (que é impecável), nem mesmo a personagem central. Eu não me apaixonei por Edie Sedgwick, não houve qualquer empatia, aliás.&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2112&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:justify;"><a href="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/05/600full-factory-girl-poster.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2118" title="Factory Girl Poster" src="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/05/600full-factory-girl-poster.jpg?w=99&#038;h=150" alt="" width="99" height="150" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Factory Girl é um filme baseado na história de Edie Sedgwick e sua relação com Andy Warhol e Bob Dylan. O filme mostra Edie como uma jovem rica dos anos 60/70, que se transforma na superstar dos filmes de Warhol, ícone da moda e modelo. O filme traz como pano de fundo toda a efervescência da cultura underground dos anos 70, com Andy Warhol, Bob Dylan, The vevelt underground e a pop art.</p>
<p style="text-align:justify;">Diversos são os elementos que podem chamar nossa atenção e causar paixão pelo filme. Mas, o que me prendeu não foram as orgias, a arte, a &#8220;undergralidade&#8221; da juventude popart, ou o figurino (que é impecável), nem mesmo a personagem central. Eu não me apaixonei por Edie Sedgwick, não houve qualquer empatia, aliás.</p>
<p style="text-align:justify;">O que me chamou atenção no filme foi o elemento humanidade, ou a falta dele. Diante de toda aquela entrega de Edie Sedgwick ao mundo, me dei conta de que quando nos entregamos ao mundo, não é o mundo que fica aos nossos pés, mas o contrário: nós é que ficamos aos pés do mundo. Me dei conta de algo mais: a gente é só. Nasce só, vive só, morre só. Cada um que cuide de si, porque o mundo não vai cuidar não. O mundo quer apenas compartilhar da carne e da alma. O mundo não quer cuidar, por isso é preciso saber até onde se dar ao mundo porque o mundo precisa de muita coisa e a gente pode acabar dando tudo o que tem. Se dermos tudo o que temos, não poderemos mais nos sustentar em pé, secaremos. Edie Sedgwick foi sugada pelo mundo e isso foi uma escolha dela.</p>
<p style="text-align:justify;">Isso foi uma coisa. Outra coisa é a amizade, as festas, a alegria das amizades tão preenchedoras das cenas no filme. Edie era tão necessária, bem-vinda e querida, até o dia em que não era mais. Amigos vêm, amigos vão e tudo bem? As pessoas querem carinho, querem reconhecimento, querem intimidade. Existem intensidades e níveis de carinhos necessários? Poderíamos classificar diversos tipos de carinho? Os carinhos coletivos, os sociais, os seguros e certos, os surpreendentes, os íntimos, os profundos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Mas onde está o carinho? Aquele carinho vital para o permanecer vivendo? Nas amizades? Na família? Seria por conta dessa necessidade de carinho, que as pessoas constituem família, que preservam suas famílias, que agregam/unem famílias? Mas, e se a família falhar no carinho, quem suprirá esse carinho, uma nova família? Amigos são famílias escolhidas?</p>
<p style="text-align:justify;">Família permanece. A família genética permanecerá mesmo que seja na qualidade de rugas, de doenças hereditárias, de genética, de sangue, mas também como princípios, como aprendizados, como sentimentos. Quero dizer, mesmo que você abandone uma família, de pais e tals, ela estará em você sempre? Há condição para isso? Quer dizer, é preciso que haja frutos ou não? Eu, a filha, sou o fruto de uma família. Isso quer dizer que, enquanto eu existir, para sempre, carregarei minha família em mim, mesmo que eu mude meu nome, meu rosto e meu gosto? Mas, e se um dia eu casar, porém não vier a produzir um fruto humano, um filho, e se eu vier a fugir dessa família, eu a carregarei comigo? De que maneira a carregarei, na memória? Família só é família se der fruto? Família é árvore que dá fruto? Existem quantas espécies de frutos além do fruto humano? Onde está o apego?</p>
<p style="text-align:justify;">Se amigos vão e vêm, eles desaparecem? Desaparecem sem deixar marcas ou lembranças? Se assim for, então, amigos não formam uma família. Mas, se família for árvore que dá frutos não-humanos, mas abstrações que nos alimentam como a confiança e os aprendizados, então amizade é árvore que dá fruto.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, eu assisto e um pensanto cruel me vem: as pessoas amigas cuidam umas das outras somente até o limite do não precisar. Quando alguém começar a precisar, os doadores de carinho somem? Deveria ser o contrário? Quem precisa é chato, inoportuno e cansativo? O que é o amar? Amar é dar aquilo que o outro precisa?</p>
<p style="text-align:justify;">O que a gente carrega disso tudo? da família genética e da família escolhida? O que seríamos de nós se não houvessem apegos? Não precisar implica em não se apegar? Não se apegar nos põe soltos no mundo. Ficar sozinho é se privar de não sofrer, de não gastar o restinho de carinho guardado? É preservar-se. Mas se preservar de quê? Da decepção, porque decepção gasta o carinho que temos dentro já acumulado. O impasse: amar é alimentar o carinho que há dentro e para amar é preciso não se preservar.</p>
<p style="text-align:justify;">Se não nos apegamos nem amamos e nem sofremos, que humanidade há nisso? Clarice Lispector diz em A Paixão Segundo GH, que o não precisar é que deixa o homem muito só. A carência é o que nos move. Clarice:</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Times, serif;"><span style="font-size:medium;"><span style="color:#000000;">&#8220;<em>E solidão é não precisar. Não precisar deixa um homem muito só, todo só. Ah, precisar não isola a pessoa, a coisa precisa da coisa: basta ver o pinto andando para ver que seu destino é juntar-se como gotas de mercúrio a outras gotas de mercúrio, mesmo que, como cada gota de mercúrio, ele tenha em si próprio uma existência toda completa e redonda. </em></span><em><span style="color:#000000;">Ah, meu amor, não tenhas medo da carência: ela é o nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe de graça – que se chama paixão.”</span></em></span></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY"><span style="color:#000000;">.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY"><a href="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/05/trecho1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2114" title="trecho1" src="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/05/trecho1.jpg?w=645" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Ficha técnica:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Título Original: Factory Girl<br />
Tempo de Duração: 99 minutos<br />
Ano de Lançamento (EUA): 2006<br />
Direção: George Hickenlooper<br />
Roteiro: Captain Mauzner, baseado em estória de Captain Mauzner, Aaron Richard Golub e Simon Monjack</p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/outros-jardins/'>.outros jardins.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/amizade/'>amizade</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/andy-warhol/'>andy warhol</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/carencia/'>carência</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/carinho/'>carinho</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/cinema/'>cinema</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/edie-sedgwick/'>edie sedgwick</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/factory-girl/'>factory girl</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/familia/'>familia</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/humanidade/'>humanidade</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/precisar/'>precisar</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/solidao/'>solidão</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2112/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2112&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Factory Girl Poster</media:title>
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			<media:title type="html">trecho1</media:title>
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		<title>Quando sexta-feira vira domingo&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 12 May 2012 02:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando sexta-feira vira domingo, bom mesmo é lembrar que amanhã é sábado, colocar uisk no copo, com duas pedras de gelo para nos fazer companhia. Passado quando vira lembrança fica mais bonito? . . . Filed under: .sonhos, retalhos e trocadilhos. Tagged: criolo, gui amabis, karina buhr, passado, saudade, sexta feira<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2104&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p>Quando sexta-feira vira domingo, bom mesmo é lembrar que amanhã é sábado, colocar uisk no copo, com duas pedras de gelo para nos fazer companhia.</p>
<p style="text-align:center;">Passado quando vira lembrança fica mais bonito?</p>
<p style="text-align:center;">.</p>
<p style="text-align:center;">
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='645' height='393' src='http://www.youtube.com/embed/tlBHYhZ_IJo?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p>.</p>
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<p>.</p>
<p><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='645' height='393' src='http://www.youtube.com/embed/4SHR9gXdZ0o?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/criolo/'>criolo</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/gui-amabis/'>gui amabis</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/karina-buhr/'>karina buhr</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/passado/'>passado</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/saudade/'>saudade</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/sexta-feira/'>sexta feira</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2104/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2104&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>sem lembrança de existir.</title>
		<link>http://pelosolhosdealice.com/2012/05/03/sem-lembranca-de-existir/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 03:43:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
		<category><![CDATA[deixar de existir]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu até costumo trocar o dia pela noite, um dia da semana por outro, trocar os horários. Se no relógio de Brasília bate meio-dia de uma segunda-feira, no meu pode no mesmo exato momento bater 8h15 da manhã de uma quinta-feira, véspera de feriado. Por vezes, troco de mês e até de ano. Tem mês que dura mais de 30 dias, tem ano que dura mais de 365 dias ou menos de 200 dias. O calendário não é programado, é algo sentido. Estou até bem acostumada a isso, acho bastante coerente que seja assim. Mas, hoje, hoje foi um dia que não existiu. O relógio marcou 23h57 e eu constatei um pensamento: hoje não existiu! Quero dizer, para mim aquele dia não havia existido&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2048&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p align="JUSTIFY">Eu até costumo trocar o dia pela noite, um dia da semana por outro, trocar os horários. Se no relógio de Brasília bate meio-dia de uma segunda-feira, no meu pode no mesmo exato momento bater 8h15 da manhã de uma quinta-feira, véspera de feriado. Por vezes, troco de mês e até de ano. Tem mês que dura mais de 30 dias, tem ano que dura mais de 365 dias ou menos de 200 dias. O calendário não é programado, é algo sentido.</p>
<p align="JUSTIFY">Estou até bem acostumada a isso, acho bastante coerente que seja assim. Mas, hoje, hoje foi um dia que não existiu. O relógio marcou 23h57 e eu constatei um pensamento: hoje não existiu!</p>
<p align="JUSTIFY">Quero dizer, para mim aquele dia não havia existido durante todo o dia e eu só me dei conta quando faltavam três minutos para o dia seguinte, no horário real. O dia 02 de maio só existiu por 03 minutos. Que fiz eu nos únicos 03 minutos do dia 02 de maio? Eu os gastei percebendo que ele não existiu.</p>
<p align="JUSTIFY">0h00.</p>
<p align="JUSTIFY">No calendário do mundo existiu 01 de maio, 02 de maio e 03 de maio. No meu calendário, dia 02 de maio não existiu. Dizer isso não é o mesmo que dizer que nada aconteceu ou que o dia passou rápido. Dizer isso é dizer que o dia simplesmente não existiu. Se eu agora parar pra pensar no dia de ontem, só tenho lembranças do dia 01 de maio, foi um dia de feriado, de rede. Eu lembro da vida do dia 01 de maio, esse é o meu ontem. Hoje, dia 03 de maio, começou faz pouco tempo.</p>
<p align="JUSTIFY">Significa que eu não existi no dia 02 de maio?</p>
<p align="JUSTIFY">Eu estou um pouco impressionada com isso.</p>
<p align="JUSTIFY">A vida só existe se a gente existir? Isso significa que eu deixei de existir por um dia? Não tenho qualquer lembrança do dia 02 de maio, somente do dia 01. As pessoas podem deixar de existir, às vezes? Eu não fazia ideia de que isso seria possível. A gente só existe se carregar lembranças de ter existido? Ou a gente só tem consciência do nosso existir se guadarmos lembranças?</p>
<p align="JUSTIFY">&#8230;</p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/deixar-de-existir/'>deixar de existir</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/existencia/'>existência</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/hoje/'>hoje</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/maio/'>maio</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/ontem/'>ontem</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2048/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/2048/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=2048&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>um cowboy para Tom Waits.</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 08:33:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
		<category><![CDATA[antepassados]]></category>
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		<description><![CDATA[Há dias que certos hábitos afloram mais. Hábitos antigos, passado de antepassados nossos, afloram com mais vigor. Emergem de dentro em direção à carne, tudo umedecendo. Em dias assim, ela se veste do modo que julga mais adequado num quase ritual. Fica nua e se olha no espelho, ansiosa pela transformação daquela imagem numa outra mais próxima dela, de si. Hidrata todo o seu corpo e borrifa o específico perfume. Veste um espartilho, firme, da cor vinho, e calça meias finas pretas, antigas e bem cuidadas. Calça os sapatos, tão altos, pretos e seguros. Os passos são firmes, com concentração. Veste o vestido preto, tomara que caia, longo de tafetá e muito tecido. Pesado. Não vê seus pés. Ela volta ao espelho, sorri. Prende&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1949&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:justify;">Há dias que certos hábitos afloram mais. Hábitos antigos, passado de antepassados nossos, afloram com mais vigor. Emergem de dentro em direção à carne, tudo umedecendo. Em dias assim, ela se veste do modo que julga mais adequado num quase ritual. Fica nua e se olha no espelho, ansiosa pela transformação daquela imagem numa outra mais próxima dela, de si.</p>
<p style="text-align:justify;">Hidrata todo o seu corpo e borrifa o específico perfume. Veste um espartilho, firme, da cor vinho, e calça meias finas pretas, antigas e bem cuidadas. Calça os sapatos, tão altos, pretos e seguros. Os passos são firmes, com concentração. Veste o vestido preto, tomara que caia, longo de tafetá e muito tecido. Pesado. Não vê seus pés. Ela volta ao espelho, sorri.</p>
<p style="text-align:justify;">Prende seus cabelos num topete alto, num coque despretensioso mais alto ainda. Passa um pó no rosto, clarinho e perfumado, arqueia com maquiagem as suas sobrancelhas e passa seu batom vinho, escuro. Se olha no espelho e se satisfaz, se reconhece.</p>
<p style="text-align:justify;">Segura a cauda do vestido, dá meia volta e caminha até a sala. Se serve uma dose, dupla, do seu whisky tennessee, com uma pedra de gelo, só pelo prazer de girar a pedra no copo. Vai em direção à janela, assiste ao mundo humano do lado de fora, assiste do alto de seu castelo.</p>
<p style="text-align:justify;">Dois goles.</p>
<p style="text-align:justify;">Não gosta de cigarros. Nunca gostou. Escolhe a música: Tom Waits. Deita no sofá em pose de rainha, que é, e se regozija no seu reinado de solidão.</p>
<p style="text-align:justify;">Sorri plena.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='645' height='393' src='http://www.youtube.com/embed/8aTvELXNXNU?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/antepassados/'>antepassados</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/bruxa/'>bruxa</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/contos/'>contos</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/lembrancas/'>lembranças</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/passado/'>passado</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/tom-waits/'>tom waits</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/1949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/1949/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1949&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>.se esse sábado fosse domingo&#8230;</title>
		<link>http://pelosolhosdealice.com/2012/04/21/se-esse-sabado-fosse-domingo/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Apr 2012 18:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.sonhos, retalhos e trocadilhos.]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
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		<description><![CDATA[Existia assim, uma menina, cujo nome de batismo era Maricota Mourato Maria. Ela mesma era só Maricota, mas dentro dela moravam a Maricota Mourato e a Maricota Maria. Maricota era aquela que interagia com a carne do mundo, as outras interagiam com Maricota, ou com o mundo mas sempre através de Maricota. Maricota sonhava com o dia em que ela finalmente seria, tal qual seu nome de batismo, Maricota Mourato Maria, mas ela não conseguia. Ela era somente Maricota, às vezes com tendência à Maria, às vezes à Mourato. Assim viviam as três numa casa colorida: Maricota, Maricota Mourato e Maricota Maria. Cada uma de uma cor, de um jeito e de um sabor. Maricota gostava muito de fantasiar sobre ela mesma, além do sonho de&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1749&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><p style="text-align:justify;">Existia assim, uma menina, cujo nome de batismo era Maricota Mourato Maria. Ela mesma era só Maricota, mas dentro dela moravam a Maricota Mourato e a Maricota Maria. Maricota era aquela que interagia com a carne do mundo, as outras interagiam com Maricota, ou com o mundo mas sempre através de Maricota.</p>
<p style="text-align:justify;">Maricota sonhava com o dia em que ela finalmente seria, tal qual seu nome de batismo, Maricota Mourato Maria, mas ela não conseguia. Ela era somente Maricota, às vezes com tendência à Maria, às vezes à Mourato. Assim viviam as três numa casa colorida: Maricota, Maricota Mourato e Maricota Maria. Cada uma de uma cor, de um jeito e de um sabor.</p>
<p>Maricota gostava muito de fantasiar sobre ela mesma, além do sonho de um dia virar Maricota Mourato Maria, ela inventava e encarnava algumas personagens. Às vezes virava Alice, às vezes virava gato. As três (ou as cinco? ou as seis?) viviam em harmonia, às vezes sim. Viviam em confusão, às vezes não.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa manhã de sábado, Maricota acordou e se pôs a pensar sobre o que faria do seu sábado, quando de repente percebeu que ela não era a única acordada e desejosa por planejamentos. Maricota Maria havia acordado desejosa por festejar o domingo, embora fosse sábado, enquanto que Maricota Mourato já estava na cozinha, querendo produzir como numa boa segunda-feira, embora fosse sábado. Maricota simplesmente suspirou e pensou: seria tão mais simples se hoje fosse só sábado.</p>
<p>Imediatamente Maricota Maria lhe retrucou, afinal porque querer que hoje seja hoje, se hoje pode ser qualquer dia que se queira. &#8220;Ah, hoje é domingo&#8221;, disse Maricota Maria, que se pôs a planejar, dançar e cantarolar.</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, as três e todas as suas personagens têm algumas coisas em comum, mas a maior delas é o apreço por planejamentos. Adoram planejar! O problema é que cada uma planeja uma coisa, sendo que só há um único corpo para tantos e diversos planejamentos. Então, às vezes tanto planejamento acaba em nenhuma execução. Enquanto Maricota queria simplesmente um sábado, Maricota Mourato já estava com a vassoura em uma das mãos e os pratos, na outra. Já Maricota Maria se enfeitava com flores e inventava que tinha um pato-cachorro para passear no domingo. Maricota, que deveria ser a ação, nada agia.</p>
<p>Maricota Maria abriu a janela do quarto e disse:</p>
<p>- &#8220;Está um domingo tão bonito, a gente poderia sair de chapéu. Tenho tanta vontade de&#8230;</p>
<p>fazer fotos para concorrer a uma bike, na companhia da Paola Louise;<br />
de ir ao cinema no final da tarde;<br />
de descer a rua de rabo de cavalo tomando sorvete de mousse de limão na casquinha, da padaria bela paulista;<br />
de ir até a livraria da vila na lorena, na sessão infantil e ficar lá umas horas;<br />
de comprar os irmãos grimm e trazê-los pra casa;<br />
de ficar na rede com diadorim e riobaldo, tomando caipirinha a tarde toda;<br />
de ficar na cama, vendo filme, comendo pipoca sem comer, tentando comer brigadeiro mas sem conseguir porque não conseguiria parar de rir, abraçada com alguém de muito amor; ou,<br />
de ir na festa do boi;<br />
de passear de carro;<br />
de vestir saia longa, camiseta jeans e usar o blush laranja da mac;<br />
de ir à feira gastronômica do higienópolis;<br />
de cantar Karina Buhr e ouvir Cibelle;<br />
de..&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Maricota Mourato veio de lá da cozinha, em passos firmes, jogou a flanela no birô e disse em tom severo:<br />
- &#8220;Ainda bem que acordaram, a gente vai limpar a casa e estudar. Nós estamos muito atrasadas!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Maricota, aquela que deveria ser a dona da ação, suspirou, sentou na cadeira e publicou isso aqui. :0/<br />
<a href="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/04/by_xmartx-thumb-600x375-9497.png"><img title="by_xmartx-thumb-600x375-9497" alt="" src="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/04/by_xmartx-thumb-600x375-9497.png?w=590&#038;h=368" width="590" height="368" /></a></p>
<div></div>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/sonhos-retalhos-e-trocadilhos/'>.sonhos, retalhos e trocadilhos.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/contos/'>contos</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/desejos/'>desejos</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/domingo/'>domingo</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/infantil/'>infantil</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/moura-e-medeiros/'>moura e medeiros</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/prosa-infantil/'>prosa infantil</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/1749/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1749&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>.pelo sertão de Guimarães (VI)</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 05:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.entre aspas.]]></category>
		<category><![CDATA[afeto]]></category>
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		<category><![CDATA[Diadorim]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Sertão: Veredas]]></category>
		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[riobaldo]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>

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		<description><![CDATA[E o que dizer dessas palavras de Riobaldo? senão consentir, concordar, baixar as vistas e sorrir, porque é nesse tanto que a gente sente. Mesmo que a cabeça queira pensar que aquele não é o melhor certo sentir, a gente sente bem dentro e fica feliz. E qualquer raiva ou desgosto destinado a qualquer outra estranha pessoa se desfará, porque diante de um certo sorriso, no peito só caberá amor. E, quando esse sorriso ainda lhe traz uma prenda embrulhada como presente... aí, é que a felicidade se arrasta por muitos e tantos dias. O presente a gente guarda embrulhado, feito tesouro. Numas horas assim, a única ajuda da razão é organizar os gestos e aquietar essa felicidade toda. Sábio Riobaldo que explica pra mim o&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1732&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><pre style="text-align:left;"><em>E o que dizer dessas palavras de Riobaldo? senão consentir, concordar, baixar as vistas e sorrir, porque é nesse tanto que a gente sente. Mesmo que a cabeça queira pensar que aquele não é o melhor certo sentir, a gente sente bem dentro e fica feliz. E qualquer raiva ou desgosto destinado a qualquer outra estranha pessoa se desfará, porque diante de um certo sorriso, no peito só caberá amor. </em><em>E, quando esse sorriso ainda lhe traz uma prenda embrulhada como presente... aí, é que a felicidade se arrasta por muitos e tantos dias. O presente a gente guarda embrulhado, feito tesouro. Numas horas assim, a</em><em> única ajuda da razão é organizar os gestos e aquietar essa felicidade toda.</em></pre>
<pre style="text-align:right;"><em></em><em>Sábio Riobaldo que explica pra mim o que é uma mandante amizade. </em></pre>
<p style="text-align:center;">.</p>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:left;">&#8220;De repente, dei de fé, e avistei: era Diadorim que chegando, ele já parava perto de mim.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele mesmo me disse, com o sorriso sentido:</p>
<p style="text-align:justify;">- &#8216;Como passou, Riobaldo? Não está contente por me ver?&#8217;</p>
<p style="text-align:justify;"> A boa surpresa, Diadorim vindo feito um milagre alvo. Ao que, pela pancada do meu coração. Aí, mas um resto de dúvida: a inteira dúvida, que me embaraçava real, em a minha satisfação. Eu era o que tinha, ele o que devia. Retente, então, permaneci; não fiz mostra nenhuma. Esperei as primeiras palavras dele. Mais falasse; retardei, limpei a goela.</p>
<p style="text-align:justify;">- &#8216;A pois. Por onde andou, se mal pergunto?&#8217; &#8211; aí falei.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquela amizade pontual, escolhida para toda a vida, dita a minha nos grandes olhos, ele pronunciando:</p>
<p style="text-align:justify;">- &#8216;Você também não está bom de saúde, Riobaldo, estou vendo. Você derradeiramente não tem passado bem?&#8217;</p>
<p style="text-align:justify;">- &#8216;Vivendo minha sorte, com lutas e guerras!&#8217;</p>
<p style="text-align:justify;">Ao que Diadorim me deu a mão, que malamal aceitei. E ele disse de contar. Segundo tinha procurado aqueles dias sozinho, recolhido nas brenhas, para se tratar dum ferimento, tiro que pegara na perna dele, perto do joelho, sido só de raspão. Menos entendi. A real que estando ofendido, por que era que não havia de vir para o meio da gente, para receber ajuda e ter melhor cura? Doente não foge para um recanto, no mato, solitário consigo, feito bicho faz. Aquilo podia não ser verdade? Afiguro, aí bem que criei suspeitas: aonde Diadorim não teria andado ido, e que feia ação para aprontar, com parte na fingida estória? As incertezas que tive, que não tive. Assaz ele falava assim afetuoso, tão sem outras asas; e os olhos, de ver e de mostrar, de querer bem, não consentiam de quadrar nenhum disfarce. Magro ele estava, quasso, empalidecido muito, até ainda um pouco mancava. Que vida penosa não era capaz de ter levado, tantos dias, sem o auxílio de ninguém, tratando o machucado com emplastros de raízes e folhas, comendo o quê? Assunto de fome e toda sorte de míngua devia de ter penado. <span style="text-decoration:underline;">E de repente eu estava gostando dele, num descomum, gostando ainda mais do que antes, com meu coração nos pés, por pisável; e dele o tempo todo eu tinha gostado. Amor que amei &#8211; daí então acreditei. A pois, o que sempre não é assim? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;">Além do que era sazão de sentimento sereno: arte que a vida regateia. A vida não dá demora em nada. Nos seguintes, logo tornamos para tornar em guerra, com assanhamentos. De formas que perdi o semelhar de tantos manejos e movimentos e a certa razão das ordens que a gente cumpria. Mas fui me endurecendo às pressas, no fazer meu particípio de jagunço, fiquei caminhadiço. Agora eu tinha Diadorim assim perto de afeto, o que ainda valia mais no meio desses perigosos fatos. Sendo que a sorte também prevalecia do nosso lado, aí vi: a morte é para os que morrem. Será?&#8221; </span></p>
<p>(ROSA, João Guimarães. <em>Grande Sertão: Veredas.</em>Nova Fronteira, 2001, p. 305-307).</p>
<a href="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/04/419497_3011411758932_1071630390_2800075_343842634_n.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1734" title="419497_3011411758932_1071630390_2800075_343842634_n" src="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/04/419497_3011411758932_1071630390_2800075_343842634_n.jpg?w=645" alt=""   /></a>
<p style="text-align:justify;">Desenho de <a href="http://taimegouvea.blogspot.com">Taíme Gouvêa</a>, feito com nanquim e maquiagem em MDF. Inspirado na foto feita por <a href="http://www.paolabueno.com/">Paola Bueno</a>.</p>
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		<title>.pelo sertão de Guimarães (V)</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Apr 2012 14:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcela Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[.entre aspas.]]></category>
		<category><![CDATA[Diadorim]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Sertão: Veredas]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[rio são francisco]]></category>

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		<description><![CDATA[Diadorim Rio  São Francisco "E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, désse a minhas carnes alguma coisa. Era uma mão branca, com os dedos dela delicados." . &#8220;Mas, com pouco, chegávamos no do-Chico. O senhor surja: é de repentemente, aquela terrível água de largura: imensidade. Medo maior que se tem, é de vir canoando num ribeirãozinho, e dar, sem espera, no corpo dum rio grande. Até pelo mudar. A feiura com que o São Francisco puxa, se moendo todo barrento vermelho, recebe para si o de-Janeiro, quase só um rego verde só. &#8211; &#8216;Daqui vamos voltar?&#8217; &#8211; eu pedi, ansiado. O menino não me olhou &#8211; porque já tinha estado me olhando,&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1689&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='page columnize'><pre style="text-align:center;"><em>Diadorim</em></pre>
<pre style="text-align:center;"><em>Rio  São Francisco</em></pre>
<pre style="text-align:center;"><em>"E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, désse a minhas carnes alguma coisa. Era uma mão branca, com os dedos dela delicados."</em></pre>
<p style="text-align:justify;">.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Mas, com pouco, chegávamos no do-Chico. O senhor surja: é de repentemente, aquela terrível água de largura: imensidade. Medo maior que se tem, é de vir canoando num ribeirãozinho, e dar, sem espera, no corpo dum rio grande. Até pelo mudar. A feiura com que o São Francisco puxa, se moendo todo barrento vermelho, recebe para si o de-Janeiro, quase só um rego verde só. &#8211; &#8216;Daqui vamos voltar?&#8217; &#8211; eu pedi, ansiado. O menino não me olhou &#8211; porque já tinha estado me olhando, como estava. &#8211; &#8216;Para que?&#8217; &#8211; ele simples perguntou, em descanso de paz. O canoeiro que remava, em pé, foi quem se riu, decerto de mim. Aí o menino mesmo se sorriu, sem malícia e sem bondade. Não piscava os olhos. (&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Tive medo. Sabe? Tudo foi isso: tive medo! Enxerguei os confins do rio, do outro lado. Longe, longe, com que prazo se ir até lá? Medo e vergonha. A aguagem bruta, traiçoeira &#8211; o rio é cheio de baques, modos moles, de esfrio, e uns sussurros de desamparo. Apertei os dedos no pau da canoa. Não me lembrei do Caboclo-d&#8217;Água, não me lembrei do perigo que é a &#8216;onça-d&#8217;água&#8217;, se diz &#8211; a ariranha &#8211; essas desmergulham, em bando, e bécam a gente: rodeando e então fazendo a canoa virar, de estudo. Não pensei nada. Eu tinha o medo imediato.  E tanta claridade do dia. O arrojo do rio, e só aquele estrape, e o risco extenso d&#8217;água, de parte a parte. Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse: &#8211; &#8216;Esta é das que afundam inteiras. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau d&#8217;óleo não sobrenadam&#8230;&#8217; Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela&#8230; Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra! A mentira fosse &#8211; mas eu devo ter arregalado dôidos olhos. Quieto, composto, confronte, o menino me via. &#8211; &#8216;Carece de ter coragem&#8230;&#8217; &#8211; ele me disse. Visse que vinham minhas lágrimas? Doí de responder: &#8211; &#8216;Eu não sei nadar&#8230;&#8217; O menino sorriu bonito. Afiançou: &#8211; &#8216;Eu também não sei.&#8217; Sereno, sereno. Eu vi o rio. Via os olhos dele, produziam uma luz. &#8211; &#8216;Que é que a gente sente, quando se tem medo?&#8217; &#8211; ele indagou, mas não estava remoqueando; não pude ter raiva. &#8211; &#8216;Você nunca teve medo?&#8217; &#8211; foi o que me veio de dizer. Ele respondeu: &#8211; &#8216;Costumo não&#8230;&#8217; &#8211; e, passado o tempo dum meu suspiro: &#8211; &#8216;Meu pai disse que não se deve de ter&#8230;&#8217; Ao que meio pasmei. Ainda ele terminou: &#8211; &#8216;&#8230; Meu pai é o homem mais valente deste mundo.&#8217; (&#8230;) Os olhos, eu sabia e hoje ainda sei, pegavam um escurecimento duro. Mesmo com a pouca idade que era a minha, percebi que, de me ver tremido todo assim, o menino tirava aumento para sua coragem. Mas eu  aguentei o aque do olhar dele. Aqueles olhos então foram ficando bons, retomando brilho. E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, désse a minhas carnes alguma coisa. Era uma mão branca, com os dedos dela delicados. &#8211; &#8216;Você também é animoso&#8230;&#8217; &#8211; me disse. Amanheci minha aurora. Mas a vergonha que eu sentia agora era de outra qualidade. Arre vai, o canoeiro cantou, feio, moda de copla que gente barranqueira usa: &#8216;&#8230;Meu Rio de São Francisco, nessa maior turvação: vim te dar um gole d&#8217;água, mas pedir tua benção&#8230;&#8217; Aí, o desejado, arribamos na outra beira, a de lá.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">(ROSA, João Guimarães. <em>Grande Sertão: Veredas.</em>Nova Fronteira, 2001, p. 145-148).</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/04/lw306.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1718" title="Lw306" src="http://pelosolhosdealice.files.wordpress.com/2012/04/lw306.jpg?w=645" alt=""   /></a></p>
</div><br />Filed under: <a href='http://pelosolhosdealice.com/category/entre-aspas/'>.entre aspas.</a> Tagged: <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/diadorim/'>Diadorim</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/grande-sertao-veredas/'>Grande Sertão: Veredas</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/medo/'>medo</a>, <a href='http://pelosolhosdealice.com/tag/rio-sao-francisco/'>rio são francisco</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelosolhosdealice.wordpress.com/1689/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelosolhosdealice.wordpress.com/1689/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelosolhosdealice.com&#038;blog=19618494&#038;post=1689&#038;subd=pelosolhosdealice&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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