Esses últimos dias, no carnaval do Rio de Janeiro, assisti de camarote à dança carnavalesca da Colombina com o Pierrot e com o Arlequim. Pierrot, Colombina e Arlequim são personagens teatrais nascidos na Itália do século XVI, que aparecem de carnaval em carnaval, em várias cidades do mundo e que este ano passearam para lá e para cá pelo Rio de Janeiro, bem perto dos meus olhos.
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A história desses três carnavalescos começou tempos antes do carnaval, quando nem imaginavam eles que um dia encarnariam tais personagens e que viveriam uma comédia do amor italiano em plena Lapa carioca. Mas, assim se deu…
Tudo começou numa festa de natal, em uma outra cidade pequena e distante, onde reinavam purpurinas e bufões, quando um Falante Cavalheiro avistou uma Tagarela Dançarina e tão logo se encantou. A Dançarina desatenta demorou a notar que o brilho dos olhos do Cavalheiro não vinha da lua que reinava no céu, mas do reflexo de seu sorriso e sem dar muita atenção aos malabarismos do Cavalheiro animado, regressou a sua cidade, a Cidade do Labor, onde residia e trabalhava.
O Falante Cavalheiro, rapaz determinado quando o assunto vinha do coração, não tardou a enviar-lhe cartas de amor e a dizer-lhe como ela era bela e como juntos seriam felizes. Ao primeiro sorriso da Dançarina, o Cavalheiro atravessou os sete mares e declarou pessoalmente seu amor. Disse à Dançarina, que ele sentia que já se conheciam de outros carnavais e que sabia do passado e do futuro. Assustando-a com tamanha ansiedade, acabou por encantar sua Dançarina.
O que esses dois inocentes não sabiam é que há muito já vestiam fantasias de carnaval, ele a de Pierrot e ela a de Colombina, e que cedo ou tarde ela dançaria a dança do Arlequim e ele a dança do desencantado. Desembarcaram inocentes no carnaval carioca e lá reviveram toda a história da peça italiana.
A Colombina, confusa e pensativa, ao mesmo tempo em que se alegrava com as declamações do Pierrot, se encantava com a leveza do descompromisso carnavalesco e sonhava que o amor de palhaço poderia ser mais leve quando endereçado a uma Colombina. E assim, ao lado de seu Pierrot, ela se punha a sonhar com losângos e guizos.
O Pierrot se desesperava ao ver sua Colombina pensativa e mais cobrava e mais sofria e mais falava do passado e do futuro. Nessa trama enroscada de fugas e delírios, eis que surge o Arlequim às gargalhadas e dançarino. Ele segura a mão da Colombina e a conduz a dançar e a beijar tantas outras bocas, bocas de carnaval, até o fim do dia quando imortalizaram o amor de carnaval num casamento imaginário pelos arcos da Lapa.
Em meio à feliz união, eis que surge o trôpego Pierrot, que seguindo sua Colombina derramava lágrimas de amor-dor no meio da multidão.
Pierrô apaixonado (Noel Rosa)
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando
A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim
Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim
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a melhor contadora de histórias de toda vila marie :*
o meu carnaval não teve pierrot. acho que por isso ninguém chorou no final… só de saudade =)